O PERFIL DO PSICOPEDAGOGO NOS ESPAÇOS EMPRESARIAIS




Por: Edson Carlos de Sena
Sr. do Bonfim - Ba, novembro de 2017

RESUMO:

Este trabalho acadêmico traz uma relevante colaboração ao apresentar uma das dimensões da atuação do psicopedagogo, que é a atuação desse profissional no campo empresarial. Buscou-se, na fala de alguns autores teóricos da área da psicopedagogia, traçar um perfil atualizado do profissional psicopedagogo. Sendo este trabalho acadêmico muito relevante para aqueles que já atuam ou aqueles que irão atuar neste campo de trabalho que é a Psicopedagogia Empresarial, pois destaca algumas características indispensáveis para o perfil do psicopedagogo, objetivando a atuação desse profissional nos espaços empresarias e aponta, também, posturas não adequadas para a atuação profissional do psicopedagogo nos ambientes das empresas. Este trabalho acadêmico apresenta, de modo sucinto, os desafios a serem enfrentados na atuação do psicopedagogo nos espaços empresariais, pois esse profissional tem como a principal meta a humanização dos espaços de trabalho, especificamente das empresas.

PALAVRAS-CHAVE: Perfil do psicopedagogo, Espaços empresarias, Relações interpessoais, Intervenções psicopedagógicas.

1 INTRODUÇÃO

As relações interpessoais nos espaços das empresas é um assunto quase sempre presente nas pautas das discussões contemporâneas sobre os espaços empresariais, tendo já consolidado o pensamento de que as relações entre os empregados e as relações entre empregados e patrões influenciam, na maioria dos casos, na produtividade e no sucesso das empresas.
Compreendendo que o ser humano não é uma máquina, ou seja, um ser estéril, mas que este é constituído, no seu interior, por: sentimentos, necessidades afetivas... entende-se que é necessário buscar humanizar os ambientes onde o ser humano vive, tornando-o um espaço sadio, que propicie o desenvolvimento do ser humano de modo integral. 
Diante das afirmações dos parágrafos anteriores, buscamos em autores que discutem sobre os temas ligados às relações interpessoais nas empresas uma resposta para a quentão seguinte: qual o perfil do psicopedagogo para analisar o contexto de uma empresa no que tange as relações interpessoais, entre empregados e entre empregados e patrões, e como intervir para que essas relações sejam saudáveis e propiciem o desenvolvimento e o sucesso de uma empresa?
O objetivo geral desta pesquisa bibliográfica foi traçar um perfil atualizado para a atuação do profissional psicopedagogo nos espaços empresarias. Os objetivos específicos foram os seguintes: o primeiro é saber qual a relevância desse profissional nos espaços das empresas? E o segundo é: quais posturas o psicopedagogo deve ter nas observações e intervenções nos espaços empresariais?
Para responder ao questionamento principal, buscou-se, nas falas de alguns autores, indicações que pudesse, de modo significativo, propiciar uma resposta, mesmo que introdutória, significativa para a  questão levantada. Dividindo-se em duas partes o desenvolvimento deste trabalho acadêmico, uma ressaltando as características importantes para a atuação reflexiva e prática do psicopedagogo e outra ressaltando o que não pode está presente nas atuações reflexivas e práticas desse profissional. Isso para poder traçar um perfil atualizado do profissional psicopedagogo.
Este trabalho acadêmico partiu do interesse em conhecer, de modo mais profundo, as temáticas ligadas às relações interpessoais nos espaços empresariais. E como fundamento para justificar a relevância desta pesquisa bibliográfica, temos a necessidade visível de refletir mais sobre a vivência humana nos espaços de trabalho, especificamente nos espaços empresariais.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1 PERFIL DO PSICOPEDAGOGO NOS ESPAÇOS EMPRESARIAIS.

Traçar um perfil para a atuação de um profissional, no caso o psicopedagogo, é algo muito amplo e complexo, pois há, muitas vezes, o diferencial entre os profissionais de uma mesma área que parte das experiências já vividas ou de inferências obtidas no curso de suas carreiras profissionais. Mas podemos, diante de estudos realizados por teóricos dessa área, traçar um perfil geral que possibilite uma visão simples, mas importante para aqueles que estão adentrando neste campo profissional, que é o da Psicopedagogia, e, também, para aqueles que queiram aperfeiçoar seus conhecimentos. Vejamos o que nos diz Palmeira apud Silva e col.:

Para PALMEIRA(1999) o papel desse profissional é relevante, pois sua atuação tem significado principalmente na ação do desenvolvimento do ser, podendo assim promover momentos de interação, motivação, recreação. Portanto, para reparar a convivência entre os profissionais envolvidos e melhorar o ambiente empresarial com intuito de identificar os fatores motivacionais e os processos que precisam ser reavaliados para ser atingido no desenvolvimento para o funcionário e para a Instituição como um todo. (SILVA, 2013, v 2, p.183)

Uma palavra muito importante na fala de Silva é “identificar”, pois podemos, assim, inferir que o psicopedagogo atua fazendo análises, observando também as subjetividades das pessoas de um espaço específico, no caso, funcionários de uma empresa. Podemos também observar na citação acima que o psicopedagogo deve desenvolver e reavaliar processos objetivando o desenvolvimento dos funcionários e da empresa, o que podemos compreender que o psicopedagogo deve atuar fazendo diagnósticos e intervenções no ambiente que tange a totalidade de uma empresa.
Quando foi dito, na citação acima, que: “[...] podendo assim promover momentos de interação, motivação, recreação [...]” é compreendido que o psicopedagogo deve atuar ativamente diante do cenário de uma empresa, para que os objetivos da empresa sejam alcançados. Fica subtendido que o psicopedagogo deve manter uma relação de empatia para com os membros da empresa, afim de compreendê-los e ajudá-los a viver a dinâmica requerida pela empresa, deste modo, objetivando o sucesso desta.
Vejamos, na citação a seguir, mais um pouco sobre a atuação do psicopedagogo nos espaços empresariais, Fantava apud Machineski e col.:

“o psicopedagogo pode ajudar a alta direção de definir os traços gerais do ser e do funcionamento futuro da organização. A partir desse diagnostico fica possível melhorar os problemas, melhorar as relações entre empregados e empregadores, traçar planos de ação junto aos gestores dos processos administrativos de forma a causar satisfação por parte trabalhador em desempenhar melhor seu trabalho e assim trazer o resultado almejado.” (MACHINESKI, 2011,v.7. p. 7)

Fica compreendido que o psicopedagogo deve atuar em ações conjuntas com os gestores da empresa, sendo importante adquirir a confiança destes e ser um suporte para eles. É importante entender, vendo o que foi colocado nas citações acima, que o psicopedagogo deve buscar promover o desenvolvimento humano, olhando para o homem como um ser que necessita de motivação e de ser compreendido em suas capacidades e limites. 
O clima fraterno desenvolvido pelo psicopedagogo deve propiciar a humanização dos espaços e das relações, sem deixar de ressaltar a importância de que cada membro de uma empresa cumpra, com qualidade, seu trabalho junto às necessidades da empresa.
Para ficar mais ampla a compreensão sobre o perfil do psicopedagogo no campo empresarial, vejamos o que nos diz Nascimento apud Silva e col.:

Ressaltando o Psicopedagogo Empresarial, no qual tem um papel significativo dentro da empresa, pois atua juntamente com profissionais dos Recursos Humanos. NASCIMENTO(2008) destaca que sua atuação visa facilitar a construção e o compartilhamento do conhecimento, criando vínculos e incentivando novas formas de relacionamentos, o mesmo ainda pode realizar diagnósticos organizacionais, dando subsídios significativos para melhoria do trabalho desenvolvido na empresa. (SILVA, 2013, v 2, p.183)

Analisando os termos facilitar, “construção” e “compartilhamento do conhecimento”, entende-se uma dinâmica em que são exigidas posturas de atenção para com os envolvidos no ambiente da empresa, com o objetivo de tornar acessível a todos os envolvidos o produto (o conhecimento) de tudo aquilo que foi desenvolvido por todos e com a colaboração de cada um dos envolvidos. O resultado desta dinâmica é aquilo que podemos entender como a principal essência na positiva inter-relação dos sujeitos envolvidos nesta dinâmica: a criação de vínculos e de novas maneiras de se relacionar, como está descrito na citação acima. Isso pode parecer algo simples, mas não é tão simples quanto parece, pois ao lidar com semelhanças e diferenças dos sujeitos envolvidos em um espaço específico isso exige equilíbrio e flexibilidade por parte de quem está na direção dessa dinâmica, no caso do psicopedagogo.
Vejamos o que diz Saito sobre as necessidades das empresas de fazerem investimentos para o desenvolvimento de habilidades intrapessoal e interpessoal de seus membros, com o objetivo do aumento da produtividade:

Percebe-se que quanto mais a empresa investir no desenvolvimento de habilidades intrapessoais e interpessoais, menos propensa estará à existência de conflitos. A partir do momento em que a empresa e seus colaboradores sintonizam seus interesses e passam a trabalhar por um mesmo objetivo, estabelece-se ligação entre as partes, o que estimula a motivação e faz crescer o comprometimento com a produtividade. (SAITO, 2010, v 11, p. 42)

Esta frase: “Estabelecer ligações entre as partes.” Indica uma das principais missões de um psicopedagogo em uma empresa: gerar unidade. Mas com o foco primeiro em um objetivo: o aumento da produtividade.  A unidade das pessoas envolvidas em um espaço, ou seja, em qualquer instituição é reconhecida como o grande diferencial para o positivo desempenho da mesma instituição. Cabe ao profissional psicopedagogo buscar recursos e estratégias que possibilitem a unidade entre os membros de uma empresa. É necessária a constante consciência desse profissional de sua missão como agente de unidade e, ainda mais, de envolver os outros membros da empresa a aderirem ao espírito de unidade.
Vejamos o que nos diz Rodrigues sobre de que se deve ocupar o psicopedagogo nos espaços empresariais:

O psicopedagogo ocupa-se com a aprendizagem e seu desenvolvimento, levando em conta a assimilação interna e a aplicação externa daquele que aprende, sem deixar de lado os aspectos afetivos e sociais que estão envolvidos nesse processo. Esse é um campo cujo objeto é o ser que aprende, como aprende e de que modo esse aprendizado se encaixa no ambiente no qual o aprendente faz parte. Desse modo, o psicopedagogo organizacional, profissional que dentro da organização é alocado junto ao setor de recursos humanos (RH), ocupa-se com a criação de condições de aprendizagem dos profissionais integrantes da organização, levando em conta seus diferentes setores de atuação, sua missão e metas. (RODRIGUES, 2012, v.29, p.1)

A autora na citação acima, proporciona uma síntese sobre a ocupação do psicopedagogo nos espaços empresariais, mas pode ser notado, de modo especial, quando Rodrigues diz que o psicopedagogo ocupa-se com a criação de condições de aprendizagem, então, podemos entender que faz parte da missão deste profissional, o psicopedagogo, ser criativo e promover motivações para que os membros de uma empresa, em seus setores distintos, possam desenvolver-se de modo integral, objetivando, de modo especial, a colaborar para que a empresa alcance sempre melhor potencial de produção ou de prestação de serviço.
Ao dizer que o psicopedagogo é alocado junto ao setor de Recursos Humanos (RH), a autora Rodrigues esclarece, de modo direto, o campo de atuação desse profissional, pois o setor de Recursos Humanos é responsável, dentro de uma ótica ampla, por atender os funcionários, porém não apenas como funcionários, mas como um seres humanos que têm potenciais, habilidades e necessidades. Podemos inferir, desse modo, que o psicopedagogo tem a missão de humanizar os espaços empresariais, pois as pessoas passam grande parte do tempo de suas vidas nos espaços de trabalhos.

2.2. ALGUMAS DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS QUE NÃO PODEM EXISTIR NO PERFIL DO PSICOPEDAGOGO:

Podem ser listadas inúmeras características negativas ao perfil do psicopedagogo no ambiente empresarial, no entanto vamos ressaltar algumas. Será analisada esta citação de Freitas com o objetivo de, no antônimo, inferir as características não adequadas para um psicopedagogo:

À guisa da prática e atuação psicopedagógica na gestão empresarial está, intrinsecamente, relacionada ao desenvolvimento humano e profissional dos colaboradores; na circulação do conhecimento, na aprendizagem e nos fatores que impedem a mesma; e, pretende promover e/ou gerar um espaço de possibilidades, cuja perspectiva baseia-se na informação e no conhecimento, tendo em vista que, informação e conhecimento são instrumentos modificadores da consciência humana e de seu grupo social. Em suma, a prática educativa na esfera empresarial sob o viés psicopedagógico corrobora para a aprendizagem organizacional, ou seja, que a aprendizagem seja significativa. Insta destacar que, é de suma importância, à práxis do psicopedagogo para gestão empresarial, contribuindo assim para aprendizagem e para o desenvolvimento humano. (FREITAS, 2011, 38)

Pode-se inferir que não cabe ao psicopedagogo as seguintes posturas: individualismo, timidez, reter conhecimentos, falta de empatia com o grupo e com cada pessoa, não propiciar meios para a aprendizagem significativa e não colaborar para o desenvolvimento humano integral.
Podem ser acrescentadas as seguintes características negativas ao perfil do psicopedagogo, isso inferindo e levando em consideração as citações e reflexões citadas no todo deste trabalho acadêmico, como: diálogo insuficiente com os gestores da empresa, não propiciar novas formas positivas de relacionamentos, não exercer as posturas docente e discente com relação aos membros da empresa, não exercer e desenvolver o ser pesquisador com objetivos de ter e buscar mais recursos para solucionar problemas que possa surgir no ambiente empresarial, principalmente no que tange as relações interpessoais dos membros de uma empresa. 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Seria muita arrogância querer expor um perfil total e fechado sobre este profissional que é o psicopedagogo, mas é importante sempre existirem indicações que norteiem a prática de um profissional. Pôde-se, neste trabalho acadêmico, discutir e analisar, mesmo que introdutoriamente, um perfil atualizado para esse profissional.
Ficou esclarecido sobre a amplitude da demanda de posturas reflexivas e práticas que o psicopedagogo precisa desenvolver em sua atuação profissional. É importante ressaltar a necessidade da contínua postura de investigador, pesquisador, que o psicopedagogo deve sempre vivenciar. Sendo importante também esclarecer que ambientes que são constituídos por pessoa são únicos e que caberá ao psicopedagogo se adequar a esse ambiente, como também buscar modificá-lo, quando entender que algumas mudanças são fundamentais para o bem comum e para o desenvolvimento produtivo de uma empresa.
Em todas as relações humanas existem subjetividades. E o psicopedagogo deve compreender que sua atuação não é meramente de constatações e de ações de imposições. Mas antes, suas posturas e ações devem contemplar visões mais amplas e que busquem entender cada ser humano como um ser único e que este deve se desenvolver de modo mais integral possível.
O presente trabalho apresentou uma síntese sobre a temática, podendo, desse modo, outros autores desenvolvê-la com novos olhares, pois cada pessoa tem sua colaboração ímpar, porque somo seres únicos, constituídos por experiências únicas e que essas experiências, muitas vezes, podem somar de modo muito relevante na vida de outras pessoas.
  

REFERÊNCIAS

FREITAS, Jaqueline Figueiredo, Psicopedagogia Empresarial e as Relações Humanas. Rio de Janeiro. 2011. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/c206153.pdf

MACHINESKI, Rute da Silva, Atuação e Potencialidades do Psicopedagogo na Área de Recursos Humanos Empresarial. Goiânia, ed. Centro Científico Conhecer. 2011. Disponível em: http://www.conhecer.org.br/enciclop/2011b/ciencias%20humanas/atuacao.pdf

RODRIGUES, Vanusa dos Reis Coêlho, O Psicopedagogo nas Organizações: a Aprendizagem como Estratégia Competitiva. São Paulo,  ed ABPP.  2012. Disponível em: http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/127/o-psicopedagogo-nas-organizacoes--a-aprendizagem-como-estrategia-competitiva

SAITO, Leila Miyuki, Psicopedagogia Empresarial como Agente de Transformação. Londrina, 2010. Disponível em: http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/ensino/article/viewFile/824/788

SILVA, Florisa de Carvalho, O Psicopedagogo no Meio Empresarial. Piauí, ed. EITEC, 2013. Disponível em: http://eitecpicos.com/novo/files/EITEC-II/183%20a%20185%20-O%20Psicopedagogo%20no%20Meio%20Empresarial%20-%20Rog%C3%A9rio%20Leal%20de%20Sousa.pdf






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